Por exemplo S�rvio: usaremos t�cnica. N�o tecnologia. Na segunda eles nos d�o banho. Ent�o se � para ter ru�dos de rua vamos pegar um tosco gravador e gravar. Passos apressados na hora do rush, britadeiras, as vozes dos pregoeiros e dos ambulantes e das pessoas, dos r�dios e tvs que se ouve do lado de fora das casas. Estes os barulhos. Dos carros passando, buzinando, freando, xingamento de motoristas etccc. Vou te contar: nephu da uff. Regina Bienstein, Maria Elisa Canedo, foram procuradas pelo pessoal da favela do gato porque a dita cuja iria ser soterrada pela atual estrada rio-manilha.
Favela do gato porque era gato rasgado de tudo: luz, �gua e talvez telefone, fios e fios cortavam a paisagem e a emaranhava entre os canos da �gua surrupiada. Na realidade n�o era uma favela. E sim uma col�nia de pescadores, que esqueci o n�mero, z alguma coisa. Ficava no fundo da ba�a. E por l� moravam alguns marginais, bandidos mesmo, e gatunos de pouca monta (ai que saudade deles, n�o matavam!). Pois bem, elas perguntaram se eu topava fazer o �udio-visual que registrasse o trabalho delas: impedir que a rio-manilha passasse por cima da favela, urbanizar a regi�o, reeducar os habitantes, refor�ar a associa��o de moradores que j� existia presidida pela Dinha. Etcccc. Era uma briga do tamanho de um bonde. Porque envolvia minist�rio dos transportes o escamb�u de um governo militarizado do qual as duas tiveram de fugir por pertencerem ao grupo do freire e de alguns arquitetos que pensavam o Brasil com um projeto de habita��o que n�o o BNH.e alfabetiza��o mesmo.
Na �poca o BNH nem existia. Eles, o grupo, estavam formulando propostas razo�veis para um pa�s at� ent�o razo�vel. O trabalho era nos fins de semana e feriados. E eu gravando e entrevistando, e como sempre n�o consegui verba, com o Sergio Vilela fotografando. Algumas vezes em colorido, outras em preto e branco. Portanto era um �udio visual est�tico. Que iria competir no CNPq com v�rios din�micos para ter verba e continuar. Aquilo de slide num carrossel com trilha sonora casada com cada slide que ca�a. Um trabalho para barney, fred , bam-bam, vilma, pedrita e esqueci o nome da mulher do barney.
Consegui interessar o Marco Maciel no projeto. Nesta �poca j� por causa da r�dio, para faze-la aceita nas esferas superiores, para que ela pudesse existir, eu tinha conviv�ncia com ele, o Archer , da Ci�ncia e Tecnologia que ajudaram muito. Ent�o o Marco Maciel falou com o ministro dos transportes, esqueci o nome dele, da �poca Sarney, um tipo bonach�o, mas duas caras, todos lembram, que ent�o foi para a favela dos gatos conversar com os moradores , ser entrevistado, etccc. Eu falei pro Sergio fotografar em preto e branco e nem lembro mais se fui eu mesma que fotografei. E Tudo recome�ou.
Redesenharam a Rio Manilha e o desejo dos moradores com a Regina e Maria Elisa foi cumprido. Ganhamos verba do CNPq e o �udio-visual, que acabei montando como tal, usando uma trilha sonora tranchan, foi escolhido para ser enviado aos colonizadores EUA, n�o sei porque. Dia da viagem do �udio visual. E perdem a trilha sonora. Regina me pede desesperada que a refa�a em menos de meia hora. Nenhum arquivo guardado. Nenhuma duplicata. Nenhum backup. Sentei no ch�o do est�dio de som do N�cleo �udio Visual e com um r�dio, tosco r�dio, fui montando a trilha sonora, com m�sicas,vozes, est�ticas, como se algu�m estivesse zapeando os canais em alguma birosca da favela.A mesa de som estava quebrada. Usei um gravador, para montar a trilha. Deu certo e fomos premiadas nos States. N�o sei em qu� tamb�m. Mas elas me contaram.
Mas a realidade � que ficou mais bonito o improviso do que a trilha trancham. N�s podemos e devemos usar o improviso com t�cnica. D� banho em qualquer tecnologia.
� isto que estou te pedindo para o fundo sonoro do tal bal�. Mais a tua voz debochada dizendo para tomar cuidado e soltando uma gargalhada mais debochada ainda. Penso seu rosto pintado de branco, com profundas olheiras e boca vermelho sangue de batom aureolado pela cortina do palco falando pro p�blico que � preciso tomar cuidado. Pelo menos em uma apresenta��o. Ou que voc� prepare algu�m do corpo de baile para fazer isso.Como estou vendo agora voc� fazer.
Nenhum comentário:
Postar um comentário