Agora fica este problema de relacionamento entre Pedrinho, Jairo, Maria Auxiliadora, Vilma e o pior de todos entre Pedrinho e Pedrinho. Dizem os pais : eu perdi a conviv�ncia de tantos anos.... n�o d� para recuperar... precisa ir devagar para encontrarmo-nos . Que loucura! �s vezes voc� descobre um amigo, um amigo do peito, destes para a vida inteira, se a vida fosse inteira, e confraterniza com ele, ele faz parte de seu conte�do. Entre voc�s existem encontros e desencontros. Mas o sentimento de bem querer n�o se abate.
Ora, porque com filho deve ser diferente? Sou m�e. Mas acredito que a gente, m�e e pai, cria uma perspectiva at�vica, fantasiosa, porque � filho. Nada disso tem de acontecer. O filho � um encontro. Um esbarro. Pode ser amado ou n�o. Pode nos amar ou n�o. E n�o nos matar� se as perspectivas criadas em torno dele n�o forem t�o massacrantes. Porque vamos falar a verdade - m�e e pai massacram. Como est�o as notas? O qu� voc� vai ser quando crescer? Est� estudando ou vadiando? Est� se encontrando com aqueles seus amigos que n�o prestam, n�o �?
A rela��o tem de ser, precisa ser , de apenas amizade. Mas amizade mesmo. Eu tenho um amigo que n�o consegue compartilhar suas amizades. Caso ele chegue aqui em casa e encontre outro amigo vai logo embora. Ou faz uma cara t�o feia que o outro percebe e se manda. Cara, isto � doen�a. Antes de mais nada � preciso saber se entre pais e filhos existe empatia. Se o cheiro pega. Se o toque agrada. Como amantes. Amigos s�o amantes sublimados. Ele, o filho, n�o precisa ter o perfume dos pais, o cheiro dos pais, pensar e agir como os pais. Ele pode e at� � bom que seja um contraponto. Ele ou os pais. Para tornar a rela��o fecunda.
N�o aceito isto de ah! Meu filho, durante tanto tempo te perdi. Perdeu nada. De repente encontrou. Um outro ser humano com quem, �s vezes, � bom se relacionar. O problema � a posse, a idealiza��o que toda posse produz. Repara: se eu n�o possuo posso transar melhor com a realidade, nem que seja com o desejo de possuir. Mas eu n�o perdi nada. Tenho tudo a conquistar. Mas se possuo, que saco, tenho de lutar para preservar. Precisa direcionar humores. Tanto trabalho e a vida se esvai sem prazer para tentar manter a posse.
Estou aprendendo a ver em todos, meus filhos. Em todos, meus pais e m�es. Porque eu tenho amigos. Eu gosto dos meus amigos. Eu adoro ouvir m�sica, sorrir, aprender, chorar , com meus amigos. E n�o possuo nem a mim mesma. Quero guardar este sentimento comigo. Ali�s venho desenvolvendo este aprendizado h� muitos anos. Quando reparo que ficar sem m�e por perto � melhor para meu filho, me ausento. Desapare�o. Deixo-o com seus caminhos. Se ele perceber isto, �timo. Se n�o, o que poderei fazer?
Vamos, Jairos, Marias, Auxiliadoras, Vilmas, Esthers, Toshios, Pedrinhos, Victors, Thiagos, vamos ser apenas amigos e descobrir hoje, daqui para frente, se nossos interesses podem ser comuns, se podemos aprender uns com os outros. Se os toques nos fazem bem. Se os cheiros nos agradam. Enfim se houve a comunica��o entre n�s. Mesmo que estejamos falando idiomas diferentes. O contato mais profundo � mudo. Arcaico como a vida antes de multiplicar c�lulas. Long�nquo como o que desconhecemos e sequer supomos. A ant�tese entre o nascer da vida e a dial�tica sobre ela.E sua s�ntese. Ausentes todos os discursos vamos nos olhar e aprender ou n�o a nos gostar. Se fazemos amigos, se os cultivamos, porque n�o alfaces, couves, berinjelas e filhos?
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