No real no real mesmo � tudo irreal e exc�ntrico e estranho .... eu estudei no prim�rio no col�gio Stela Trov�o de Mello. Ela usava a palmat�ria, a negrinha, chamada mesmo assim, uma r�gua negra comprida, com a qual ela cutucava a cabe�a dos desatentos. Era minha colega de classe a T�nia. Um dia eu chamei um jovem poeta para colaborar na p�gina liter�ria de um jornal local, que era editada por mim: �O Praia Grande em Revista�, do K. Couto . O jovem, alguns anos mais velho que eu , era o Ricardo Augusto dos Anjos (neto do pr�prio, j� respondo). Ricardo trouxe o D�cio Mafra. O D�cio comboiou com ele o Iderval Garcia. Veio o Belt, o Emmanuel de Bragan�a, e mais um que trabalhava num banco e esqueci o nome. E mais um monte de gente. O S�vio Soares de Souza, o Geir Campos, o Pimentel, meu Deus, esqueci de novo o nome do que criou o hino do fluminense, lembrei, Almanir Greco, a Diva Rocha... Todos convivendo com aquela garotada que dava ordens num jornal inteiro, que acabei por editar.
Formavam-se grupos. Os concretistas que publicavam tamb�m no suplemento liter�rio do JB como o Ricardo, os parnasianos, os rom�nticos, os fazedores de hai-kais. Enfim era um eterno ferver de id�ias e criatividades. As meninas do Col�gio normal ajudavam a politizar a reda��o como a Eva, que casou com o Jourdan Amora, dono da Tribuna de Niter�i e que na �poca trabalhava da �ltima Hora de Samuel Wainer. Traziam m�sicas como a do Leite em p�, leite em p� que tu me destes/ acabou com a fome do nordeste/ leite em p�, chiclete e coca-cola/ � meu deus em boa hora veio a esmola ( cantar com a m�sica de nesta rua nesta rua tem um bosque etc...) feita durante a ajuda do chamado ponto IV que virou o programa de padrinhos e alian�a para o progresso que esterilizava e fazia experi�ncias vis nas popula��es pobres do Brasil, aprendidas nos campos de concentra��o do nazismo.
Um dia Ricardo nos apresentou sua noiva com quem casaria em algumas semanas. A T�nia. N�o mais nem menos. A T�nia. Casaram, tiveram filhos, separaram e cada um reconstituiu suas vidas. Lembro das crian�as pequenas. Depois casei tamb�m e fui morar no Rio Grande do Sul. As pedras rolaram e rolaram. Quase 50 anos depois chega aqui em Caxambu, � minha cassa, uma menina com a filha no colo: Tatiana e seu marido. Est�o procurando para comprar ch�cara aqui no Vale das Colinas. E Tatiana, morando h� um m�s na cidade. De mudan�a definitiva desejava encontrar a esther lucio bittencourt de quem lhe falava seu pai, o Ricardo, seu tio, o D�cio, cujo av� � nome de rua aqui na cidade ( O D�cio nasceu em Itanhand�). Pois � Tatiana � a filha que vi pequena, quase de colo, do Ricardo e da T�nia. E est�o vindo da lonjura de Niter�i, Estado do Rio de Janeiro para morar aqui em Caxambu. Pode?
De repente surge um novo grupo de jovens criativo e contestador. Com uma velha no meio.
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