Servio,
fui mais uma vez na r�dio elektrola. eu gosto muito do visual. j� botei voc� faz tempo como pano de fundo da minha �rea de atrablho. s� n�o consigo roubar m�sicas. fico feliz junto com voc� pelo pelo songbook. para melhorar a p�gina eu a fiz em front page e page maker. nada funcionou. estou tentanto.
mas o bal� � muito fren�tico . quero ver a renee conseguir botar aquele tempo nas dan�as. na maior parte trabalho com cortes. s� h� uma fus�o. e cortes bruscos. h� uma dan�a maior que retirei do contexto a dos dois adultos vestidas de menina com m�scaras. o tempo de dan�a delas � maior. ficou o menor tempo e a defini��o delas no palco � vaga ficou vaga, n�o foi justificada. elas fazem a dan�a da mis�ria humana. do desencanto. dos para�sos artificiais. portanto reduzi a dura��o da dan�a para n�o estourar muito o tempo de vinte minutos que ela pediu. que bom voc� ter gostado. que bom. eu tamb�m fiquei muito agitada escrevendo e contando e metendo o bal� em um espa�o de tempo bem reduzido. aqui vai ele para o brian e demais poderem julgar e intervir e modificar . um verdadeiro brainstorm.
IMAGIN�RIO EIXO
a boca de cena. uma luz difusa amarelada,esfuma�ada. reproduzindo o ambiente dos cabar�s da alemanha durante a segunda guerra. do lado direito da boca de cena uma pianista tocando m�sicas de cabar�, em piano forte, e um cantor. sombras e vultos se v� a passar no que deve ser dentro do cabar�, r�pidas lentas, mas pode ser uma proje��o de algum filme antigo sobre a cortina leve que encobre a visualiza��o da cena e a torna difusa. o espet�culo come�a assim. s� que a musica parece vir de longe. ent�o o cantor, com o rosto pintado de branco e os l�bios bem vermelhos de batom p�e o rosto para fora da cortina, que ele fecha logo abaixo de seu queixo e diz com sotaque alem�o( a luz clareia tragicamente este rosto): meu povo e minha pova, ei tia!!! n�s vamos contar a hist�ria de uma pessoa que n�o vem para a metr�pole h� dez anos. e como ela se assustou com seu despreparo para a nova vida que oferecemos a seus filhos, netos, sobrinhos e a voc�s mesmos. cuidado com as balas perdidas!!! d� uma gargalhada de deboche e com uma rabanada entra no cabar�. e a m�sica aumenta l� dentro, e risos, muitos risos e gargalhadas invadem, precisam invadir e reverberar no som do teatro.(um minuto a dura��o desta cena)
ouve-se vindo de longe sons de passadas militares que v�o aumentando e suplantam a m�sica do cabar� que entra em fade-out. somente o som das passadas. e aparecem pessoas com atitudes militares, sem roupas militares, qualquer roupa, mas marchando em perfeita ordem unida, carregando um pano enrolado num pau que portam como se fosse fuzil. entram em ordem pela boca de cena , saindo da plat�ia e formam-se nas laterais do palco, como se fizessem o desenho de uma rua em curva. abram sobre eles os panos. s�o desenhos de pr�dios e suas janelas, e postes de luz, e hidrantes, e orelh�es, e jogam no ch�o do palco algo como se fosse o asfalto marcado por linhas divis�rias de pistas e passam por suas cabe�as fios e mais fios de eletricidade. alguns seguram uma antena parab�lica. a luminosidade do palco � intensa. crua. que d� para ferir o olho de quem est� vendo. luz muito intensa.( meio minuto)
um pr�dio solta-se de seu conjunto e dan�a marcialmente a dan�a do pr�dio. foge , durante a dan�a, de carros que trafegam entre seu corpo e o matam. e ele dan�a a dan�a do atropelado.(um minuto) o carro que o matou dan�a o solo do carro, ap�s ele cair exangue.(meio minuto) o cantor do cabar� enfia o rosto pela cortina e diz rindo: eu falei para tomar cuidado.(20 segundos) e esta frase reverbera enquanto mendigos v�m a se encostar nos pr�dio, nos postes e dan�am a dan�a da mis�ria. da mis�ria humana.(um minuto e 30 segundos).
o som das dan�as n�o � m�sica. enquanto dan�a o pr�dio o som � de britadeiras, de passadas marciais, quando os carros entram em cena a m�sica � a das buzinas, do frear dos carros, de seus motores. e luzes amarelas, verdes e vermelhas piscam sem cessar, desaparecendo a luz muito clara que fere os olhos. portanto apenas se v� os vultos dan�ando no piscar intenso das luzes, como um bal� de sombras. e o fundo musical da dan�a dos mendigos � a frase reverberada :eu falei para tomar cuidado, gargalhadas e um pouco da m�sica do cabar� que vaza veladamente para a plat�ia.
tempo at� aqui: 3m50s
o sol se p�e. apenas se sabe que ele se p�s porque as luzes da cidade acendem ao som dos mendigos tilintando suas moedas nas latas. e uma luminosidade como a da lua impregna a cidade. das janelas dos pr�dios evocam luzes azuladas( s�o as da televis�o). e passantes com a roupa desarranjada e aflitos se chocam. � a dan�a dos pedestres. se empurram, trope�am entre si, caem e s�o pisoteados e a m�sica � a voz de uma locutora anunciando alguns assassinatos na cidade, um pr�dio que pegou fogo, alguns atropelamentos, um seq�estro, um roubo a banco... ela enumera assim (ela fala assim) : . a previs�o do tempo para amanh� e de muito sol e calor. a temperatura estar� por volta dos 35 graus. uma aposentada que sa�a do banco foi assaltada por pivetes na esquina da rua marechal deodoro com floriano peixoto: no aterro do flamengo cinco ve�culos trombaram e tr�s pessoas moreram e vinte est�o feridas gravemente no hospital miguel couto. o pr�dio da esquina venceslau br�z com bento lisboa, onde funcionava um banco no t�rreo incendiou esta manh� . a per�cia investiga as causas. na rua pereira da silva um comerciante sa�a de seu carro quando foi atingido, de dentro de um marea negro que passava , por rajadas de metralhadora. a morte foi instant�nea. o senhor jo�o dos santos fiqueiredo,33 anos. foi atropelado hoje � tarde na rua epit�cio pessoa ao tentar atravessar a rua. o sinal estava aberto para ele. mas parece que o motorista do carro n�o reparou a luz vermelha. enquanto isto, para diminuir a emiss�o de gazes poluentes os governos do mundo se re�nem para discutir o efeito estufa. o governo estadual poder� promover rod�zio de carros. a miss�o do fmi estar� em visita ao pa�s na pr�xima semana para ver a possibilidade de liberar nova parcela do empr�stimo previsto para este ano. continua a pegar fogo a reserva florestal de po�o das antas. as autoridades esperam que a promessa de chuva para os pr�ximos dias venha ajudar no combate ao inc�ndio que j� destruiu milhares de hectares de mata e dizimou v�rios animais.amanh� � o dia da entrega do oscar para os melhores deste ano. a modelo internacional Tschscum foi premiada por uma ong internacional com peles de foca para manufaturar suas roupas. ela desfilar� o ano que vem para a grife mantida pela prestigiada ong.
Enquanto esta narra��o � repetida uma rep�rter pergunta na plat�ia o que pensa sobre o governo do estado ter aprovado o rod�zio de carros. Neste momento a pianista toca mac knife que vai num crescendo em fade-in. h� uma briga entre as vozes e a m�sica . passantes na rua se atropelam, carros rugem, mendigos mendigam, casais entram nos cinemas, em casas de espet�culo. um homem desesperado fala no orelh�o. sai de l� pede sil�ncio com um amplo gesto. (tempo desta dan�a: 4 minutos e 20 segundos).
O homem dan�a em completo sil�ncio. tudo silencia. tudo se cala. e ele dan�a.com uma luz azulada focada sobre ele. ( 1minuto e 10 segundos ) e cai exausto sobre as ruas que novamente se acendem em movimento e balburdia. luz vermelha acentuada, provocando calor na plat�ia.
este momento � rompido pelo som de metralhadores e luzes correm pelo ar como se rajadas iluminadas fossem. as pessoas se encolhem apavoradas, grades aparecem e s�o colocadas para tentar proteger algumas crian�as. enfim � retirada para proteger um senhor gordo, com o dedo cheio de an�is, fumando um grosso charuto, de colete, terno riscado e polainas, que ri muito. sirenes soam e policiais em torno do homem o protegem. (esta dan�a tem a dura��o de 1 minuto ) . As balas , pessoas vestidas com formato de balas, entram no palco e dan�am loucamente, alucinadamente. o cantor do cabar� p�e a cabe�a para fora e diz : �eu falei, eu falei: � preciso muito cuidado.� s�rio, amedrontado. num tel�o s�o projetadas imagens de guerra. (tempo: 4 minutos e 30 segundos)
tempo at� aqui: 3minutos e 50 da p�gina anterior mais 11 minutos. total: 15 minutos e 50 segundos.
um homem encostado num poste l� um poema. �nfase para ele. o poema que o homem diz. Imagin�rio eixo.
como me descubro
vulner�vel �vel �vel
encravada na terra
insustent�vel
urge saber de vidas
e universos ersos ersos
poss�veis ao pulm�o
boiando des�rtico
planeta vulner�vel e singular
girar por s�is e luas as as
cuidando para n�o esbarrar
esta esfera vulner�vel
nem esfera �!
este planeta boiando ando ando
no oco deserto do c�u
sempre por um fio
chama-se de terra
e � mais �gua �gua �gua
e �gua que n�o verte
nesta vulner�vel transla��o
que sensa��o fr�gil
me encolhe encolhe
estar vulner�vel em
n�o s� estar mas ser
minha consci�ncia girando
no sol ol ol ol
h� muito som om om om
demasiada dist�ncia �nsia �nsia �nsia
querendo solo olo olo
quero garantias de vida � meus!
nada perto do irreal
como a rota��o vol�vel
deste planeta
sobre seu pr�prio
e imagin�rio
eixo eixo eixo
sobre seu pr�rio
e imagin�rio
eixo eixo eixo
durante a leitura da poesia h� um pas-de-deux. s�o adultos vestidos de crian�a, usando m�scaras tr�gicas e c�micas de teatro. o movimento , os barulhos, as rajadas, ficam em background, bem suaves, as pessoas se movem em c�mera lenta, os ru�dos ficam distorcidos, em baixa velocidade. h� uma m�sica guiando a leitura do poema. �: also space zaratrusta de straus. h� uma fus�o no final do �ltimo eixo com uma m�sica do peter gabriel do filme �a �ltima tenta��o de cristo� . s� que a voz do poema � de mulher. � minha. eu tenho a grava��o em cd e envio. num tel�o � mostrada a imagem daquele menino que parou um tanque na pra�a da paz celestial. eu tenho o filme e envio tamb�m.( tempo: 2 minutos). as crian�as saem do palco e recome�a o movimento da rua. barulho de lou�as e talheres sendo usados em casa, significando o preparo do jantar. se poss�vel um cheiro de arroz sendo feito deve impregnar a plat�ia. o poema continua seu tempo de dois minutos por esta nova cena. h� como que uma fus�o. e repentinamente o matraquear de balas e luzes e sirenes. s� que desta vez as balas atingem a plat�ia. as pessoas podem ficar sem saber o que fazer. � preciso uma voz de comando dizendo que caiam mortas em suas cadeiras, no ch�o como preferir. as balas atingem as pessoas e dizem voc� est� morto. se for poss�vel suja-as de tinta de v�rias cores. esta cena precisa ser filmada para ser repetida no tel�o. as balas est�o dan�ando entre a plat�ia. e a dan�a da matraca. (tempo de dura��o 2 minutos ) as luzes durante este momento das balas na plat�ia devem estar focando alguns atingidos para ser poss�vel a grava��o da imagem.
tempo desta p�gina 4 minutos e 10 segundos, total de 19 minutos
s�bito cessa tudo. todos se retiram do palco. at� os pr�dios. todos. palco limpo. porque algu�m chorando, encolhido num canto, est� chorando e chorando e gemendo e solu�ando, choro comprido de dor. e s�lfides, leves, di�fanas, dan�am a dan�a das l�grimas. acompanhamento: o choro sentido, magoado, gemido. tempo: 2 minutos.
a cortina cai lentamente. fade-in para a m�sica de cabar�. o cantor faz aparecer sua cara branca e com uma sonora risada, c�nica, faz com que as luzes todas se apaguem. demorar um minuto para retornar luz para a plat�ia.
tempo estourado em 3 minutos.
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