domingo, junho 22, 2003

inverno

início de inverno. profundamente. o ar fere as entranhas. penetra rasgando as narinas ressecadas os lábios sangram um pouco nas rachaduras a sede é perpétua. céu ímpar de junho e julho estrelas de gelo. seguro suas mãos meu menino como uma âncora como a corda jogada do navio ao cais
seguro seus pelos
os avessos de seus poros
pontes os dedos
ah! menino
aprofundo seu desejo
cortando os ais a lâmina rombuda. fique para sempre lembrança de dor. no circuito torto da ferida. além. olhe. uma perspectiva. as unhas crescem como desejam.
os olhos.
porejam a lágrima consentida
não há medidas.

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