sábado, junho 28, 2003
sem defender nem acusar mas afirmando que definitivamente os
parâmetros da sanidade enlouqueceram de vez. e nem há mais
tapete para onde varrer a insanidade. é o teatro da loucura da
vida cotidiana brasileira que perde para a obra de artaud feio.
quando a vida supera a arte na alienação. e para justificar uma
desgraça se apela para outras.
acorda cataguazes
o jornalista renato thomaz da silva pede atenção
Para quem se interessa por questões ambientais, vale a pena dar uma olhada.
Há informações desconhecidas que podem enriquecer o debate sobre o tema e
que, ao que parece, não mereceram atenção dos meios de comunicação.
Em tempo - Cataguases é a terra de meus pais e onde eu passava as férias na
fazenda de minha avó. Mas isso foi há muito, muito tempo... R.
Cataguazes de Papel: omissão
inaceitável das autoridades mineiras
Galba Rodrigues Ferraz,
Presidente do Condema
(Conselho de Desenvolvimento do Meio Ambiente) - Cataguases
É inquestionável a gravidade do acidente envolvendo a Cataguazes
de Papel, ocorrido em março último. Foi uma tragédia que trouxe danos
ao meio ambiente, afetando principalmente a fauna aquática e as pessoas
que dela vivem, ainda que 90% dos efluentes que vazaram da represa sejam
compostos de matéria orgânica.
Com a poeira, ou melhor, a lama assentada, verifica-se que o rompimento
da barragem, construída no final da década de 80 pela antiga controladora
da indústria, acabou trazendo a tona algumas questões importantes. Uma
delas é o súbito interesse do governo fluminense em amenizar os gravíssimos
problemas vividos por seus cidadãos, como segurança pública, escândalos
financeiros, envolvimento de autoridades com traficantes, entre outras mazelas,
com a desgraça dos outros. A governadora Rosinha Garotinho agiu com tal
veemência neste episódio que talvez solucionasse seus próprios transtornos
usando metade desta energia.
Posando de paladina da ecologia, defensora do meio ambiente, em nenhum
momento a senhora Anthony Garotinho se manifestou sobre a poluição
da Baia de Guanabara, onde já foram gastos R$ 1,5 bilhão sem benefício
algum para o ecossistema de um dos mais belos cenários do planeta.
E o que dizer do despejo anual de 100 toneladas de materiais pesados
como zinco, cádmio e chumbo na Baía de Sepetiba? E as lamentáveis
e freqüentes mortandades de peixes na bela Lagoa Rodrigo de Freitas?
E Campos, como trata o vinhoto de suas usinas de açúcar?
Em contrapartida, se autoridades fluminenses fizeram alarde, seus colegas
de Minas Gerais preferiram seguir o caminho da omissão. O projeto do
reservatório recebeu a aprovação da Feam – Fundação Estadual do Meio
Ambiente – e do Ibama, mas, mesmo alertadas sobre a possibilidade do
rompimento da barragem, só entraram em cena quando o fato estava
consumado. Com sua omissão, estes órgãos ambientais forneceram munição
para que os “garotinhos” pressionassem a Justiça Federal de Campos,
prejudicando Minas ao defender o fechamento da indústria, gerando
desemprego e perdas de receita.
A Cataguazes de Papel há muito não utilizava a lagoa, pois fabrica
atualmente embalagens de papelão. Esta produção é realizada através
da reciclagem de caixas de papelão usadas, não jogando poluentes em
águas fluviais. Aí cabe um parêntesis. A Cataguazes de Papel ajuda a
minimizar a situação de subemprego de uma considerável massa de brasileiros:
os catadores de papel, pessoas que, via de regra, vivem à margem da sociedade.
Causa espanto, por isto, a omissão da Fiemg – Federação das Indústrias
de Minas Gerais – que em nenhum momento preocupou-se com o possível
fechamento de uma indústria que gera 270 empregos diretos. Uma empresa
que só está em funcionamento pela determinação de seus empregados que,
quando a Matarazzo encerrou suas atividades no Estado, impetraram ação na
Justiça do Trabalho. Posterior decisão judicial transferiu o direito sobre todos bens
imóveis da empresa paulista em Cataguases para os funcionários, que
posteriormente negociaram a venda para a empresa que é a atual
Cataguazes de Papel. Se a defesa pela permanência da empresa foi
de extrema importância para a cidade, parece que a defesa da
continuidade de seu funcionamento não é para a Fiemg. Se o
município perde empregos e receita, pior para Minas.
Não menos espantosa é a atuação do governo Aécio Neves,
campeoníssimo de votos na Zona da Mata. Além de ter sido ofuscado
pelos holofotes da mídia e do esbravejamento da governadora fluminense,
visitou a cidade e região apenas uma vez e, em nenhum momento ergueu
a voz em defesa dos interesses mineiros, isto quando já comprovado
que os danos ambientais não tinham sido tão intensos.
Outro integrante do governo mineiro, o “secretário-ministro” José Carlos Carvalho,
acompanhou a situação, acomodado em seu gabinete enquanto
o vice-governador do Rio, Luiz Paulo Conde, fazia de Cataguases
um quintal para suas grosserias e acusações aos mineiros.
Ao transformar Cataguases em sinônimo de poluição,
as autoridades do estado vizinho varrem seu lixo para debaixo de nosso tapete.
Nesta tragicomédia de erros e omissões, não é de se estranhar que
a AMDA – Associação Mineira de Defesa Ambiental – encabece sua
“lista suja” com a Cataguazes de Papel, uma empresa que recebeu
como herança de uma indústria paulista um reservatório de resíduos
químicos decorrentes da produção de celulose, com o conhecimento
dos órgãos ambientais do Estado. A AMDA termina por fazer o jogo
do governo fluminense em vez de propor medidas educativas para o
meio ambiente, que deveria ser, afinal, a sua função. Enquanto Minas
lava as mãos, o Rio de Janeiro posa de bonzinho e o município de
Cataguases continua desempenhando o papel de vilão.
Definitivamente, Cataguases não merece isto. No dia 25 de julho,
a cidade foi novamente invadida pelos “garotinhos” de Campos, que
ocuparam a cidade sem pedir licença. Cataguases, berço do cinema
nacional, do movimento verde, do modernismo, de grande tradição
industrial, não merece isto. Se as autoridades mineiras abandonam
Minas, quem há de socorrê-la? Seus filhos. Acorda Cataguases!
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