sábado, setembro 20, 2003

"acne vulgaris"


ontem foi dia de tirar sangue. ver colesterol, trigicerídios, como andam os hormônios... então aproveitei: ouvindo ingrid caven, o cd que o servio me deu quando estive em julho em niterói. fiquei olhando o sangue lentamente gotejar na seringa. sístole diástole, uma gota, diástole sístole, mais outra.

lentamente - as veias são finas e arrebentam fácil fácil- o coração foi batendo entrando pelo buraco da agulha, obrigou o embolo a se afastar cada vez mais e ficou pleno vermelho pulsando a olhos vistos. ouvi umas quatro músicas. a operação exige paciência minha e do enfermeiro. minhas veias parecem de vidro. e só um braço pode ser usado. na veia do outro fizeram cateterismo. se errar na primeira aí vem o sofrimento: furam a mão, furam no encontro entre o braço e o ante-braço. um horror!

o bonito é ver a cor do sangue. indescritível palheta. saindo de um frasco para outro. do meu corpo para a ampola plástica. fresco. túrgido. e ingrid caven dizendo que durante a guerra ela foi cantar lili marlene para os soldados . pedi ao enfermeiro: enquanto você colhe o sangue posso ouvir música? ingrid caven estará definitivamente conectada ao meu fluído vital. e minha retina ficou vermelha para sempre quando passei pelos campos de guerra na imaginação.

só espero não ter cedido junto com o sangue por inteiro o coração. depois, morrendo de fome, fui tomar café com leite e comer uma broa mimosa na padaria gomes. ouvindo sempre. era como se você estivesse comigo meu amigo também a ouvir. que tourne tourne e retourne. la vie. çá vá. e mademoiselle maiard hein?


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