domingo, setembro 28, 2003

para vera, martha e lucia


reluzem nas armaduras
impávidas guerreiras
estandartes nas mãos
é um cueiro!
e a espada aguarda
na bainha de um carretel
ser tomada pela linha.


contam em panos odisséias
de ursos gatos cachorros e patos
aplicados em vergéis e lagos
feitos com linha de bordado
moinho de vento: a agulha
sancho: a máquina de costura
louro o sol e a terra pura.


tagarelam babam gabam
e loucas de amor espremem
as tenras carnes de seus fedelhos
como se abraçassem num espelho
a própria imagem que se espanta
ao ver que é seu o reflexo da criança
que também será avó após alguns fios.


nenhuma ciência, tecnologia ou economia
derruba o ponto de cruz, o ponto cheio
os entremeios, as bainhas, o viés
o chuleio. o planeta pode explodir.
no espaço onde ele existiu
haverá um varal com uma fralda e um babador
tremulando em frivolité a água que lavou
a golfada, o coco e o xixi.

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