era uma vez uma senhora que tinha um sonho. um sonho muito antigo: criar galinhas. mas ela não desejava criá-las em um galinheiro comum. ela sonhava para suas galinhas um galinheiro especial. num lugar especial. ora, porque não oferecer a elas um palácio? por que não?
todos pensam que galinha não tem sentimentos não é inteligente. mas alegria, esse era o nome da senhora, sabia que as pessoas estavam enganadas. as galinhas eram geniais, brilhantes mesmo e, além de tudo úteis, sua carne, que pecado, servia para alimentar as pessoas e seus ovos, que beleza de formas, uma perfeita forma oval, eram deliciosos; se tratadas com milho, sem ração, exibiam um vermelho intenso na gema contrastando com a clara clara.
sofreu. elas e suas galinhas. percorreram longos e tortuosos caminhos. sentiu-se perseguida e injustiçada, juntamente com toda a sua família e as aves que tanto amava. mas perseverou. e um dia realizou seu sonho. foi morar na alvorada de um palácio. e lá num planalto onde a vista só esbarrava no encontro entre o céu e a terra, ela resolveu construir um imenso galinheiro com todo o conforto para abrigar suas galinhas.
era um palácio que ela havia recebido junto com o marido do povo. na realidade ele era do povo. mas a moradora alí era ela e seu marido. e as galinhas receberam seu galinheiro com a tecnologia mais moderna. desenhado por arquitetos famosos. tudo pago é lógico com o dinheiro do povo. e por enquanto todos alí estavam felizes. os moradores do palácio e as penosas. enquanto o povo aguarda. espreita. deseja que as galinha proliferem, ponha muitos ovos. por que um dia ele fará seu banquete. é isso que comentam à boca pequena. üm dia faremos nosso banquete! pularemos o muros e roubaremos a galinha. dizem que o povo deste país vive roubando galinhas. tem até um ditado: é ladrão bobo, ladrão que rouba galinhas, para explicar a mania do povo de locupletar-se de pouca coisa, como uma meia no varal, uma camisa. ou um tênis posto a secar do lado de fora da casa.
e relembram da história de uma rainha antiga que morava num país além mar, falando estrangeiro, e que sem saber o que o povo comia ao ser informava que ele passava fome perguntou ingenuamente: por que não comem brioches?
no seu mundo de fantasia mal sabia ela que o brioche era muito caro para o bolso do povo. dizem que ela acabou por ser juntamente com seu marido guilhotinada.
alegria, a senhora dessa história, não deve saber o preço do milho, da ração que anda pela hora da morte e que se o frango num determinado momento significou a salvação do país, o símbolo de um plano importante que foi feito para acabar com as diferenças econômicas e a concentração de renda. hoje anda tão caro quando as viandas mais finas. mas alegria nunca saberá disso. pois não sairá de seu bolso o dinheiro para comprar a ração ou o milho. nem do bolso de seu marido. pois eles ganharam, junto com o palácio uma verba para realizar todos os seus sonhos. sonhados um dia em épocas de vacas magras.
e deste sonho não participa o povo que garante esse dinheiro. e nem poderia pois povo é povo. e galinha é galinha.
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