"saímos ainda com escuro, como eu queria. velentim, rubina e joão rufo assistiram à partida, ajudaram nos arranjos de última hora, ninguém tinha falado nada à marialva. mas valentim, quando se despediu, me disse em voz baixa: recebi o papel. agradeço em nome do menino.
duarte tomou as rédeas do cavalo das mãos de pagão, esperou que eu me aproximasse para montar. e antes que eu botasse o pé no estribo, rogou mais uma vez:
-ainda está na hora de mudar de idéia, sinhá. vai ser uma luta muito dura, com esses homens traquejados pra matar. não é briga pra mulher. e se lhe matam?
saltei na sela. mas, antes de dar a partida, me dobrei sobre o pescoço do cavalo e disse, olhando nos olhos de duarte:
- se tiver que morrer lá, eu morro e pronto. mas ficando aqui eu morro muito mais.
saí na frente, num trote largo. só mais adiante, segurei as rédeas, diminuí o passo do cavalo, para os homens poderem me acompanhar."
rio, 22 de fevreiro de 1992, onze da manhã
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