quarta-feira, março 10, 2004
ô sodade
tem o que dói na distância. assim nasceu a saudade . quando inventaram, os primeiros habitantes do planeta, o hábito de correr mundo em busca da caça. ainda agora meu sobrinho estefan chegou na janela e perguntou:
tia, sabe que dia é hoje?
não.
ele: 10/03/2004
as letras cantaram parabéns para você.
e amanhã, tia?
mamãe.
valeu. estou aliviado, respondeu. agora vou para aula.
beijos. beijos. beijos.
testou ele a fidelidade da tia. temia ser esquecido, o meu menino lindo.
afinal, o que faço tão longe de casa? mesmo estando em casa?
meu sobrinho, doce amigo que me confidencia seus sonhos e pesadelos. com quem jogo damas aos sábados e domingos. meu poeta. fazendo preparatório para a marinha.
e amanhã, mamãe. minha mãe.
hoje a irmã martha telefonou. coisas de um inventário. a saudade começou a bater às 7.30 da manhã. cuidados com minha sobrinha neta de nove meses que não gosta de comer. lembrei do domingo à noite, deitei com minha neta segurando a orelha para dormir, hábito inventado por ela . de repente me apertou num abraço de sono, com os dois bracinhos firmes. e não soltou.
caso retorne, além do calor que não consigo mais tolerar a saudade dos que estão aqui acaba comigo.
se fico morro de dores. nenhuma visita mitiga a saudade. nem a saudade quer deixar de ser sentida. eita cesária évora. se parto morro de amores.
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