terça-feira, junho 28, 2005
"água de beber camará"....
sobre o assunto abaixo, água de caxambu, trago do comments de porca e parafuso esta avaliação da jornalista ana laura diniz. podemos debater aqui um pouco de brasil ou, em breve, no condomínio brasil que a ana laura dirige também. obrigada, ana, por enriquecer com seu comentário o post.
"Água de beber, Água de beber camará". Por essa nem Jobim, nem Vinícius, nem eu podia esperar. Coisa louca! Onde já se viu Caxambu sem "sua" água?
Hoje mesmo fui ao supermercado e comprei uma garrafa. Entre tantas marcas, a "Caxambu" foi para o carrinho. Penso: Caxambu - de São Paulo para o mundo! Que nada. Nada mais se salva... e que venha a Nestlé! E a cara do Brasil fica lotado de tatuagens e piercings multinacionais.
Ai, ai.
Retrocesso. Década de 90. A globalização provocou a invasão de multinacionais em todos os países considerados emergentes. Muda drasticamente o conceito de competitividade em vários setores até então dominados por empresas nacionais.
Com raras exceções, ocorreu no Brasil uma avalanche de desnacionalizações com a transferência do controle acionário de empresas como Varga (vendida pra americana TRW), Metal Leve, etc. O setor de bebidas, alimentos e fumo liderou o ranking de investimentos estrangeiros a partir dali. Em uma análise geral, muitas empresas nacionais "viram cara da morte". Algumas conseguiram enfrentar os gigantes, outras sucumbiram.
O questionamento que se apresenta é : Qual o fator crítico que impede as empresas nacionais não apenas defenderam o seu mercado doméstico mas passarem a se internacionalizar com êxito?
Especialistas apontam a todo instante: a internacionalizãção é tendência no mundo dos negócios. Por que então o Brasil apenas permite que as multinacionais entrem? Por que não arrisca a colocar a calça e subir a braguilha? Por que Caxambu fica de braços cruzados?
Tá, pequeno vai dizer: "não se bate um gigante enfrentando-o diretamente". Mas que se lance mão de outros artifícios. Que se descubra as fraquezas, vulnerabilidades das multinacionais. Elas existem e são diagnosticáveis porque muitas adotam posicionamentos estratégicos previsíveis e comuns. Elas tendem a dirigir-se a um dado segmento de mercado mais sensível às marcas globais, culturalmente mais " internacionalizado " e influenciável por "valores universais".
Ó, meu Brasil de todos os santos, crenças e valores!! A maior parte da produção brasileira é de água leve e macia. Nos quesitos básicos - ser inodora, insípida e incolor -, a água nacional está entre as melhores do mundo. Muitas estrangeiras são pesadas e razoavelmente salgadas.
...
É... mas eu sei. Enquanto o mercado interno não investir nele mesmo e alçar vôo, o brasileiro ali na esquina... Sim, o seu Francisco da padaria, o seu Joca da farmácia, a dona Cláudia da clínica de acupuntura permanecerá com a mentalidade de que tudo que vem de fora é melhor. Mesmo que seja um contrabando "made in paraguay" ou um carimbo escravagista "made in china".
A água Caxambu deixa de existir, e quem perde não é apenas a cidade. É o País afogado em dívida, escândalo, inflação, aflição e viadutos concorridos: já falta espaço para esticar papelão na rua e dormir.
E nessa lama, entre mensalões e tráfico de interesses, o Brasil mais importa água do que exporta. Mas sabe como é, né? "Glamour" faz parte. É sofisticado pedir água francesa (a Perrier lidera as importações em mais de 60%) ou italiana em um restaurante. E enquanto as multinacionais invadem... "mim vamos ficar" cada vez mais tupiniquim... Por aqui, nem água, nem esperança, nem alegria, nem sotaque... Por aqui nem a chuva é mais natural. É ácida, e corrói. Assim como a fome carcome as paredes internas do estômago. E quem liga para esses 10.300 desempregados??? Juntos, são do tamanho de uma pulga a fazer côro aos milhões já em desespero.
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