sexta-feira, julho 01, 2005



moteto de tristura: a coruja



de morte e crendices


será que no inverno as pessoas morrem mais do que no verão? zezé garante que sim. ontem morreu a mãe do celsinho. a morte melhor do mundo: infarte fulminante. não deve nem dar tempo para sentir nada . bem que tinha uma semana que ela avisava. "a coruja tá cantando na jaboticabeira, isto é mau agouro. tô falando com vocês, repetiu ela a semana inteira. ontem a coruja não piou. só quando o dia amanhecia fez pruu bem baixinho. mas nas outras noite ela berrava. tanto, que nem dormia! carquei um remédio de pressão no celso, um copo de água com açúcar bem gelado e dei a notícia para ele."

hoje celsinho não tomou pinga, nem vinho, nem cerveja, nem nada. acho que ele está aturdido ainda. mas a droga é a partilha. sempre o mesmo tema: mal o defunto desceu na sepultura a partilha é desenterrada das entranhas do desejo.

na terça-feira zezé esteve cá em casa e falou na coruja. foi a georgina quem contou isto para ela . e quem contou para georgina foi a mãe dela, e quem falou para a mãe da georgina foi a avó. as lendas correm assim , na oralidade. igual como diz seu manel lá na quitanda da esquina: rato velho vira morcego. e vai pensar que é só ele! todos acreditam nesta mesma história. desde muito tempo, desde lá de pendotiba em niterói que escuto isto. e nunca consegui provar nem desmentir. um dia ainda acredito nestas coisas dadas como certas:" bacurau no caminho é desgraça ou frio...."

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