ta� s�rvio. ela n�o se tinha. mas existe. quem n�o se tem, n�o se sabe. mas ela sabe. e sabe.entro de alguns poucos anos estr� solta, livre, leve, usufruindo do bem da vida. esta garota existe em cada um de n�s. quantos assassinatos perpetuamos com nosso sil�ncio, nossa omiss�o. ela existe sim. � filha virtual do real. e o real, meu amigo, est� muito distante do que n�s que lemos julio verne e tio patinhas, acreditamos um dia ter existido. esta garota est� um pouco em mim. como � duro dizer isto. como eu estou um pouco nela. ela se sabe. se sabe na medida exata do que deseja. e o outro pouco importa. tem muita gente assim. se sabendo e pouco importando o outro. uns matam com golpes de ferir a carne. outros com golpes de ferir a alma. hanah arendt diz que no in�cio n�s n�o mat�vamos com medo da ira divina (mat�vamos sim, e em nome de deus, nas santas cruzadas etc...) e que ainda havia o medo de que o mesmo acontecesse conosco. que algu�m nos matasse. para onde foi este medo. estamos todos mortos. a vida com seus v�rus de �nsia de viver nos contaminou a ponto de estrmos mortos? n�o!!! o medo n�o foi, incrustrou-se em n�s e nos faz matar sem medo.
para n�o ter medo de ser matado. n�o estamos mortos num sentido. estamos cada vez mais vivos e safados. n�s somos a hist�ria do medo. e por medo se faz tudo. na raiz do dna, em sua primeira inscri��o est� o medo. eu n�io tenho nojo desta garota , para n�o ter nojo de mim que tamb�m constu� o mundo onde existem estas pessoas. eu n�o posso me perdoar para continuar tentando n�o falhar, nem me enojar com o que vejo porque sou c�mplice de tudo o que acontece. afinal, perten�o a ra�a humana. a mais predadora
do planeta. eu mato uma barata f�cil. uma planta que chamo de mato mais r�pido ainda. e nem me culpo. e a terra estremece a cada sacrif�cio que eu lhe imponho.
n�o divago n�o. n�o filosofo n�o. eu sinto exatamente assim. que esta garota poderia ser eu, voc�, qualquer um de n�s. o que sust�m meu ato assassino � o medo. e o que o conduz tamb�m � o medo. amigo, entrincheirada no medo fa�o qualquer coi. eu comecei falando deste tempo que nos pede para olha para fora, para falar com o outro, para nos dirigirmos ao outro. enquanto n�s mesmo s�rvio estamos t�o distante de n�s. eu n�o me dou um inlook h� muito tempo. nem voc� , nem ningu�m se d�. h� muito pouco tempo/espa�o para isto. lembro de um domingo em que voc� postou que estava no bar tomando uma cerveja, sozinho, vendo a televis�o sem ver, ouvindo apenas ingrid caven . e se maravilhou. as demais pessoas n�o se maravilham mais. s�o poucos os que retem dentro de si esta paisagem. quando voc� contou isto eu te senti. atento ao entorno voc� mergulha em suas emoc�es e sensa��es. realizando um magn�fico fad-out num depp fad-in. voc� se introjetou ou se auto injetou em voc� mesmo.
estas gentes cresceram sem saber que isto existe. este momento s� � encontrado nas drogas , acreditam. quando baudelaire escreveu seu paradis artificielles para theophile de gautier que s� se encontrava e criava no �pio, ele explicou que sua droga era ele mesmo, o mergulho em suas sensa��es. e ele odiou a m�e, veja o poema que ele fez para ela, e odiou a deus, e odiou o c�u pesado e hostil da chuva . ele odiou. e criou e era saud�vel odiando e amando. repare que este �dio foi retirado do mundo, substu�do pelo nojo. sem �dio eu mato, porque n�o dou vaz�o aos sentimentos, eu articulo friamente o nojo e mato. com �dio e dizem que �dio e amor s�o cornos de um mesmo chifre, eu posso chutar latas, esmurrar pessoas, mas existe o sentimento e ele pode ou n�o me impedir de matar. a menina n�o esta morta. est� viva. ela n�o se tem. n�o se sente. ela mata.
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