domingo, setembro 28, 2003

lições de história no batatada

hoje li no batatada, nem bem no batatada mas num blog que ele indica, o lições da história que "... uma ferramenta com atributos tão fortes como o weblog pode tornar-se ainda mais poderosa se utilizada com o propósito de passar experiências e ensinamentos acadêmicos. A verdade é que fala-se muito em weblogs escritos por internautas ou por profissionais da área de Comunicação. Mas seria formidável se começassem a surgir mais blogs criados e mantidos por educadores (de qualquer área). Além de ser uma ação bem construtiva, ajudaria a eliminar o rótulo de "diário virtual de adolescente" que muitos - principalmente da grande mídia - ainda insistem em pregar."


não deixa de ser uma idéia que pode resultar boa. mas pensando no assunto conclui que não deveria ser tanto assim.
ora, as fontes primárias da história são cartoriais e as coleções das diversas publicações além de atos governamentais. é o que chamamos de história oficial. que pode ser manipulada. até pelos jornalistas (alguns) no afã de atender às suas necessidades. sejam pessoais ou de pauta.

a história oral do duby, do le goff veio suprir uma lacuna: contar a história bem mais verdadeira , a de quem a fez: o povo calado e mudo mas pleno de lembranças e vicências sem edições e cortes ditos politicamente corretos. um mesmo fato contado por um jornalista, pelo político que o viveu e por uma pessoa do povo que o sofreu soa diferente e discrepante. aprendi isto em muitas entrevistas que fiz ouvindo, como diria o fhc; "a voz rouca das ruas".

no que as pessoas, nós humildes pessoas, submetidas ao vagar palaciano, expressamos nossa angústia, medo, alegria, decepção e até bobices para deixar o pesado real e ingressar definitivamente no virtual estamos contando a vida (como ela é, disse Nelson Rodrigues) e não como é editada em atos e medidas até chegar às telas da televisão e amanhecer em notícias escritas passando por um punhado de atravessadores. nós, blogueiros estamos registrando a história do nosso tempo. a história da humanidade de hoje ontem e amanhã.

de peito aberto, sangue escorrendo, corpo lancetado expomos a nossa face mais recôndita ao público pois sabemos que está resguardado o privado. na realidade somos nós, nossos computadores e a cadeira os artistas invisíveis que movimentam palavras verdadeiras para contar de um tempo em que entre o tanque, o fogão ,a horta, o carro , o trabalho, a rua fazemos a história nua e crua sair do papel e vivenciar o cotidiano.

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companheira da lições da história pense bem como seria scholar o mundo do blog repleto de acadêmicos, talvez ele perdesse a naturalidade e todos passassemos a exercer sobre suas desabusadas derramas de confissões e contares de vida uma profunda auto-crítica.

nada contra acadêmicos. mas confesso que a maioria é chata, até pedante como se o saber detido resultasse em poder. até resulta. mas nem tanto. um dia um prometeu qualquer sai distribuíndo o fogo por aí e quero ver. portanto amiga a ferramenta é boa. a adesão de todos é fundamental. mas falar de nossa vida, de nossos gatos, do vizinho é bem mais natural. eu tenho uma amiga que lembra da morte do Getúlio Vargas porque menstruou pela primeira vez naquela dia.

e até hoje não sabe se chorou o suicídio do pai dos pobres ou porque o ventre lhe doía. quando se mescla menstruação com atos e fatos que refletem sobre a gerência de um país e sua população aí sim conversamos sobre a história que ganha vida.
ela jamais esquecerá o fato. o que sentiu.e a tragédia que acometeu o país.
é o que penso companheira. mas sei que cada um tem sua medida. e respeito o fundamental.

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