campos de insônia
quando o sono desperta na madrugada não penso que ouvirei silêncio. algumas paredes sorriem, outras gragalham e há vozes ecoando pela sala. meu deus! dona luzia não veio. telefonou que iria levar o filho ao médico e não virá hoje também. paulo adianta a obra da casa de meu filho que deseja a planta da casa a cada momento mais explicada. e controlo a arquiteta que exacerba em fazer brotar escadas aqui e ali. detesto escadas, corredores... há outras opções para as portas não abrirem para a sala.
romário nem pergunta onde plantará o bouganville que por conta própria desplantou e, nesta correria, a vejo fincada sem carinho em campos de geada. que chegue o outro dia quando ele retornará ao trabalho, retornará? -como falta!- para replantá-la. romário sempre uma incógnita. mas faz tempo que está aqui e sem suas confidências não saberia vier: "não quero dizer para a senhora, mas não vou esconder: comecei a fumar."
mas porque faz isto? as duas coisas? fumar e desplantar a primavera? das paredes nem resposta. há em contrapartida o trovejar do ponteiro do segundo no relógio. lembro, que tropêço! nem visitei a marjô que se machucou e telefonou que iria ao hospital. ah, por que não apareci? lembro: logo depois ligou seu silvio figueiredo que não conheço e pede ajuda para uma amiga cujos cães e gatos prometem ser despejados. mas meu deus! nada posso fazer.
márcia bacco me socorre: pelo celular aviso que o poste acaba de entrar em obras e sem avisar a telemar despregou os fios. reclamo com eles; como interromper uma ligação? o raio já caíara há semanas, dias, e nada. e logo agora, quando falava ao telefone resolveram reparar mais o quê? e sem avisar, bater na porta e dizer: dona, precisamos desilgar os fios para reparo..., e pensar que isto aqui é condomínio ! pelo menos o síndico deveria avisar.
marcia, por favor, diga para a marjô que o raio da telemar faz reparos sem avisar e interrompe nossas conversas. mas com o homems dos gatos e cachorros nada posso fazer a não ser recomendar que procure os que têm jornal na cidade.
não , não conheço quem quer que seja na suipa. o sono não chega! e já nem mais é madrugada, há indícios do dia que é hoje mas será amanhã. por ouvirr as paredes lembro da casa atribulada?
andar pela casa de madrugada, o sono nas camas chegando por pressentimento, nem sei se me apraz morar só para evitar este constrangimento de ouvir o sussuro das louças confabulando na cozinha, dos livros trocando letras e da "andrea chérnier" do umberto giordano bem baixinho no som. mas a ópera se desejar posso desligar. e o faço. prefiro ute lemper, quem sabe "speak low" me faça descansar?
para alegrar vejo email da marta o'shea que deseja minha mudança para floripa e entregou o livro que traduzia há sete meses, "quase uma gestação, diz ela" para a editora. "Daqui fico imaginando o ambiente de sua casa, os agitos intelectuais, os lanchinhos mineiros. Saudades de Caxambu." O calor ainda incomoda bastante em Floripa; o vento da noite parece anunciar uma frente fria, mas nunca se sabe."
e eu repito, saudade de vocês. ilha da conceição... marta, também já pensei em morar aí .
o sono não chega para os olhos ardendo. bueno, emendarei com o dia mas os passeios pela rede renderam trantos frutos! aqui replico alguns:
cora ronái, do internETC

"Maravilhas da internet: os peixes do Fernando, o artesão de Caxambu, já à venda na Treliça , loja da nossa amiga Samia, em Diamantina!
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em telling stories da Leda Cruz
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the body is the place of emotion
enfim, bons sonhos para quem consegue dormir.
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