sábado, junho 18, 2005
o fantasmas da minha rua
no meu bairro vale das colinas as ruas são mortas. só passeiam por elas peões de obra. não tem gato, cachorro, criança brincando nas ruas. não. eu não afirmei que os peões de obra são fantasmas mas é que com eles a vida é muito concreto, argamassa, tijolo e cal.
eles usam suas maquiagens de cal, os pés carcomidos pelo cimento e as roupas, as roupas são as que todos os peões de obra usam.
mas vem cá por que peão de obra? peão não é só o que doma cavalo, burro xucro, boi vadio?
acredito que seja por causa do peão do jogo de xadrez, peça subalterna, que só faz um movimento: para frente e de casa em casa. daí a relação com o peão de obra que é uma pessoa que ajuda outra, o oficial, no caso o pedreiro.
pára de desconversar volta para a rua.
"soy del sur. su buena gente e su dignidad. siento ao sur como tu cuerpo e la intimidad." volto ao sul viu? volto sem norte. não desejo estas ruas mortas onde nem um zunir de nada e o vento passa em silêncio. como ir para rua? estou cantando.
é sábado. é sábado.
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