recanto da mata
minha mania, meu vício. o cavalo pampa, os gansos do caminho o prazer de pisar na bosta macia de vaca, a gangorra enoooooooooooooooooorme, que eu penso até que foi deus quem fez. o cheiro do curral e dos arreios presos às mãos.
assim os dias. a canjiquinha cheirando no fogão à lenha um café mineiro, ralo ralo, tucanos, maritacas, sanhaços, canário da terra e
um brilho. o importante: uma luz, quiçá um brilho e as formigas pastando a manhã.

calvário de planalto? tem não. só se a gente ligar a tevelisão como diz o joão vitor. tirar bezerro da estrada, virar o café colhido para secar e reza, muita reza para não chover. e choveu de fininho, manso, fazendo brotação na terra e frio na pele. nestas terras de ai meu deus os caras que nem são jagunços mas andam como tal, apeonados, de chicote na mão cortam o ar, cheios de diz que diz um palavrório dezarrazoado roubam à chusma a vadiagem deste povo do brasil. que é assim que eles pensam na gente: vadios. tem dó não.
olhar percevejo na folha. e se tem sol botar no cocuruto um chapéu porque nestes tempos de falta de ozônio o câncer tá dando até em galinha. zezé perdeu quase todas num estalar de dedos, quase assim. cocô aparecia branco podia contar, morte certa. "penso que as galinhas vão primeiro. depois os gatos e cachorros e depois é nóis." diz assuntando o analfabeto. tudo parou de prosperar, marcia bacco que o diga. e na leveza deste vício sonho com amanhãs, uma terra vizinha no recanto da mata, um bezerro no curral, uma vaquinha e um cavalo pampa casqueado. sinto na veia correr a delícia do meu paraíso natural.
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