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sábado, março 07, 2009

e marx sempre teve razão.

e marx sempre teve razão.



e agora, josé?

"Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar
bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até
que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos à
falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado".

Karl Marx, Das Kapital, 1867

José


na voz de drumond

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?


Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, julho 02, 2008

precisa-se de mecenas

precisa-se de mecenas


tantos já discorreram sobre o óbvio que nem sei porque me detenho no assunto. paul lafargue, genro de karl marx, foi expulso do partido comunista porque escreveu sobre o "direito à preguiça", aldous huxley, não foi expulso mas tratou do tema, que na antiguidade clássica era assunto corriqueiro para ovídio, sêneca e outros. hodiernamente vem o domenico de masi, como se tirasse coelhos da cartola , ressuscitar o assunto para frisson de muitos. ora, se não fossem os mecenas, instituição que faz falta hoje em dia, para financiar o ócio dos criadores, quem poderia fazer arte?

pois é. a fal , ana laura eu e mais o mundo inteiro penduramos na nossa testa um cartaz que solicita um mescenas para que possamos desenvolver nossos dotes artísticos. até agora nada. ou não possuímos dotes, ou os mecenas preferem investir no mercado futuro de secos e molhado. e a arte, filhos, é radical: enxuta.

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