pátria minha gentil que te partistes.....
alma minha gentil que te partistes
tão cedo desta vida, descontente
repousa lá no céu eternamente
e viva eu cá na terra sempre triste
luiz de camões
não preciso implorar: posso iniciar o exercício para amar a lama, o lodo , a derrisão: necessito acostumar meus membros a chafurdar, da mesma forma que acostumo os ouvidos , há dois dias, a ouvir jatos rascantes a serrar o céu de caxambu como se houvesse um aeroporto ali na esquina.
e por aqui não é rota de aviões. sei, a embraer vendeu jatos para a índia? será que por este céu sem mar chega-se às costas da índia?
ah, enfim tenho adesão de meus olhos do projeto de desmanche do brasil e da américa latina. e quase falei latrina. vejo claramente, como os relógios de dalí, este imenso continente derreter pelas bordas e deformar-se.
subitamente, o jefferson com sua máscara imperturbável me faz lembrar a do bush e seus projetos de se adonar do mundo. atento, o rosto sem nenhuma expressão, os olhos mantém a mesma serenidade do jogador de pôquer vivido com um full hand. sob a pele das bochechas perdidas algumas marcas de gordura antiga insistem em descaveirar sua não expressão; a máscara blindada da impassibilidade vestida para o dia em que o povo retém um ó de espanto nos ombros caídos.
seus advogados o impedem de levantar para mostrar que é homem, num pequeno acesso; um sorriso onde o deboche se mescla ao prazer ao ser chamado de metrosexual e um riso ancho, ao final da jornada quando novamante sua sexualidade é abordada.
o plenário da comissão de ética indisciplinado precisa do mestre escola a conclamar silêncios. enquanto isto , no país, ouve-se as asas das moscas a sobrevoar, e melar-se nas xícaras de cafezinho acumuladas nos bares, nas salas, na azia da alma. o povo escuta calado o que de há muito está exausto de saber, pois cortam-lhe a carne, e avisam! para que sobre mais grana para o butim, mas aprendeu a saborear o prazer dos atos decaídos. somos voyers de ouvido.
cada representante do povo, os pais da pátria, quando abre a broca da boca vejo saltar delas pequenos sapos em fuga dos vômitos de lama.
sei, quer dizer então que bogotá está mais próxima de miami do que de brasília? mais jatos no céu de caxambu.sei, quer dizer que a bolívia pede aos congressistas que renunciem a seus mandatos para apressar novas eleições?sei.
responda, sartre, por favor!
no responder ao lira, o deputado, uma ameaça velada, mas percebida pelo que se ousava oponente. apoio inconteste do psdb, pfl ao jefferson/bush. ah, como são semelhantes: a mesma carinha de mico!
passa a tarde. passa a noite. pobre américa! a quem interessa as leis que o congresso votou, originadas nos esconsos do governo federal que pagou mesada para que fossem votadas e aprovadas?
não. não são leis para o povo. bem sabemos. mas para quem então? beneficiam a quem?
la monada foi bombardeada novamante? restou um operário no meio dos escombros a olhar o bico do sapato alinhado, vestido por roupas bem talhadas, sem um dedo, com o rosto vermelho dos beberrões. derribado.
a última frase de jefferson/bush ecoa gargalhando pelas grotas e bueiros: "eu não posso mentir".
ainda no domingo passado olhava as bananeiras do recanto da mata que trazem expostas o coração da américa atado por um cordão de fibras ao corpo, ao cacho de bananas e me perguntava: qual será o ditador de plantão que aguarda assumir o evento latino desta américa do sul? heim, bush , heim condolezza ?
com cansaço, vi idelber avelar, o cansaço do luto eterno, abano as cinzas do corpo e atolada na lama vou à próxima lan house postar meu mal estar de todos os dias, esta sensação eterna de perda: o que restou para nos ser retirado? de nós, povo?
lembram do tempo em que ainda usávamos telegrama para comunicar fatos imediatos? : lembram do ponto final? é assim: pt.
só isto: pt.
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